Um dos principais objectivos de um político é proporcionar condições para que as pessoas sejam felizes. Existe até um país no mundo – o Butão – que criou um indicador de felicidade que é a Felicidade Nacional Bruta e o colocou no centro da sua orientação política.
A conferência do TED abaixo de Daniel Kahneman abriu-me os horizontes a novos conceitos e que fizeram-me reflectir profundamente. Tive de a ouvir 2 vezes de seguida para ter a certeza que tinha percebido tudo…
A palavra felicidade é utilizada para diferentes situações completamente diferentes.
Existe em cada pessoa duas entidades que analisam a felicidade sob duas perspectivas completamente diferentes:
1) o que estou a sentir em cada momento (o que vive no presente e vive a experiência)
2) como relembrarei esta experiência (o que regista as experiências passadas)
Estas duas perspectivas são muitas vezes conflituantes e geram enormes confusões sobre quão felizes somos.
A primeira perspectiva tem curta duração (reavaliada a cada 3 segundos) e avalia como nos sentimos em cada momento. Esta noção de felicidade funciona como um sistema nervoso que deixa de considerar muito relevante o conforto que se dá por adquirido. E avalia a felicidade face as alternativas conhecidas e/ou possíveis.
A segunda perspectiva vive das histórias que a memória nos conta. É independente do tempo de duração da experiência e depende muito do enredo e de como é contada e como termina. Uma história que acaba mal deixa uma má memória e é essa má memória que perdurará. Pelo contrário uma história que termina bem deixa uma boa memória, mesmo que no seu enredo tenham existido momentos menos bons ou interessantes.
Para saber mais veja a conferência… Vale a pena.
Que conclusões se podem daqui extrair para a actividade política?
1. As pessoas apreciam mais o proporcionar experiências com enredos que terminam
de forma memorável do que situações que proporcionam uma configuração constante do nível de bem estar.
2. Os eventos devem terminar em apoteose (apoteose significa o momento em que o homem se transforma em Deus) e não em decréscimo gradual.
3. Os eventos não têm necessariamente de ir sempre em crescendo. Tem é de existir um enredo e terminar bem.
4. Uma má notícia ou uma situação política desagradável deixará uma menor memória se no final for possível inverter, ainda que ligeiramente o enredo para algo mais positivo porque isso deixará uma memória menos negativa.
5. O efeito surpresa tem impactos positivos quer para a felicidade momentânea, quer para a felicidade memorizada.
6. Uma boa experiência repetida muitas vezes dá felicidade momentânea mas não acrescenta enredo para as histórias que a memórias nos conta.
7. Longas experiências positivas não acrescentam tanta felicidade como mais boas experiências mais curtas. Por exemplo: 15 dias de férias em Paris [ou Londres] proporciona menos felicidade do que 7 dias em Paris e 7 dias em Londres.
8. Experiências diferentes criam memórias diferentes pelo que mesmo os eventos regulares devem ter sempre fortes elementos de novidade (na decoração, na sequência, nos protagonistas, no enredo).
9. Escolhemos com base na memórias das experiências.
10. Tomamos opções para o futuro (férias; ir ou não ir a um evento; escolhas eleitorais; etc.) antecipando as memórias que achamos que isso nos irá proporcionar. Assim, opções que aludem a más memórias serão provavelmente descartadas logo à partida.
11. Imaginemos que sabíamos que no final de umas férias iríamos sofrer de amnésia e esquecer tudo o que tínhamos experimentado nessas férias. Saber antecipadamente esse facto far-nos-ia tomar opções diferentes sobre que tipo de férias faríamos e que actividades faríamos nas férias? Seguramente… Ou seja, tomamos opções não apenas para a felicidade imediata mas para a memória dessa felicidade.
12. Para a felicidade experimentada em cada momento factores como a disponibilidade financeira e o alcançar de objectivos são factores muito importantes.
13. Para a felicidade memorizada as relações sociais são factores muito importantes e passar tempo com pessoas de quem gostamos é preponderante.













Comentários Recentes