Por ordem histórica:
- O Duarte Gouveia teve responsabilidade directivas no PS, uma vez que foi vice-presidente do José António Cardoso no mandato que terminou em 2001.
- O Duarte Gouveia defendeu de forma entusiástica a hipótese de uma coligação com todos os partidos de oposição na Madeira (na altura 4: PS, CDS, CDU e UDP). Nessa altura todos os partidos de oposição eram mesmo de oposição…
- O Duarte Gouveia achava então que apenas uma coligação de todos os partidos de oposição permitiria criar um cenário de vitória (o objectivo das coligações) e de alteração significativa do contexto político na Madeira. Essa mudança fazia sentido se realizada com todos os partidos e em todos os Concelhos.
- O Miguel Fonseca defendeu na altura que o PCP não devia fazer parte da coligação por questões de defesa da democracia (se não me engano).
- A negociação real com os diversos partidos demonstrou que a ideia de uma coligação com todos não era viável. O CDS queria o PS mas não aceitava o BE e o PCP. O PCP queria uma coligação de esquerda sem o CDS. E a UDP aceitava todos desde que não se respeitasse a proporcionalidade em favor do UDP. Os líderes políticos desses outros partidos de oposição ainda são os mesmos hoje…
- Perante estas condições da realidade confirmada (ao contrário da realidade desejada) à direcção do PS de então restavam 3 hipóteses: PS sozinho; coligação com o CDS; ou coligação com o BE e PCP.
- À altura a única coligação até então existente tinha sido PS-CDS em 1989 “Pelo Nosso Funchal” produzido um excelente resultado e diziam os que por lá andavam nesses tempos que só não tinha dado a vitória por fraude eleitoral… Se foi verdade não sei porque em 1989 tinha 15 anos.
- A direcção de então decidiu propor à Comissão Política e Regional do Partido uma coligação com o CDS e tal foi aprovado com a condição de ser negociado Concelho a Concelho.
- Na negociação Concelho a Concelho do PS do Porto Santo e de Machico surgiu de imediato a recusa da hipótese de coligação com o CDS. Seguiu-se Câmara de Lobos no mesmo caminho. Nos demais Concelhos existiu acordo.
- O que o então Presidente do PS-Madeira disse ou deixou de dizer em relação às suas expectativas eleitorais é da responsabilidade do próprio.
- Os resultados eleitorais foram maus, mesmo tendo em conta o contexto nacional de enorme descida do PS. Nessa mesma noite Guterres pedia a demissão e provocava eleições legislativas antecipadas.
- Passados 6 anos, o Miguel Fonseca passa a defender “por estratégia” a inclusão do PCP numa coligação a que designou “Aliança Democrática” (que nome de má memória), quando em 2001 defendia a exclusão do mesmo “por princípios” democráticos, presumo.
- Para 2009 o Duarte Gouveia considera não ser desejável ou possível existir uma coligação nem total nem parcial devido à nova orientação política do CDS (ser parceiro do PSD em 2011), da nova realidade do MPT e da orientação política nacional do PCP e BE contra uma maioria absoluta do PS a nível nacional.
Finalmente gostaria de agradecer ao Miguel ter-me ensinado uma nova palavra: nefelibata. Pela minha parte confirmo que ainda neste sábado andei a voar de parapente junto às nuvens sobre o Funchal e mal posso esperar por lá voltar. Assim, o significado literal da origem da palavra (nephéle, «nuvem» +bátes, «que anda») é plenamente aplicável à minha pessoa.
Tal como disse o disse o Leonardo Da Vinci “Depois de ter experimentado voar, o Homem passará os seus dias a olhar para o céu porque já lá esteve e para lá quer voltar.”


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