Os Irlandeses votaram Não e a Europa volta a reflectir pesadamente sobre o seu futuro.
Tenho muita pena que assim tenham decidido. O impasse pode ser ultrapassado ou não, mas seguramente perderemos mais uns nove a doze meses com esta situação.
Recuso-me a embarcar na onda dos que perante este resultado argumentam na incapacidade do povo para perceber as vantagens da União com o novo Tratado.
Os que votaram no referendo são os mesmos que escolhem os governos, os mesmos que escolhem o que compram no mercado, os mesmos que decidem quais programas de televisão “são bons” e quais os que “não prestam”.
Não podemos dizer que as pessoas são muito habeis a escolher numas coisas e não o sabem fazer noutras…
A União Europeia alargou as suas fronteiras depressa, muito depressa. Tão depressa que até ficou difícil saber o nome de todos os países da União, quanto mais saber onde ficam no mapa, conhece-los e partilhar com eles mais soberania…
No entanto, considero que o projecto Europeu é inevitável. Ao poderio económico da Europa continua a faltar a dimensão política. Continuamos todos nós Europeus a dar mais importância às nossas pequenas paróquias nacionais e regionais do que participar verdadeiramente no projecto de integração Europeia.
Sem inimigos externos, sem projectos verdadeiramente comuns, a Europa continua a tentar manter o seu nível de vida e o seu avançado Estado Social num mundo cada vez mais precário e em mudança.
Os tempos que se avisinham não são fáceis.
Num contexto de aumento brutal do custo das matérias primas, do aumento dos transportes, da produção em massa chinesa de tudo o que o mundo necessita, que valor acrescentado introduz a Europa na cadeia de valor?
Será que a qualificação, a criatividade e a inovação chegam para sustentar o nível económico a que estamos habituados?
Vivemos tempos difíceis, mas são nos tempos difíceis que existe a predisposição para se fazerem as maiores reformas (as certas e as erradas).
Eu acredito que o Tratado de Lisboa ainda vive, mas temo que a solução acabe por ser a amputação de Estados membros…
Relembro o que disse José Socrates quando foi acordado o Tratado de Lisboa: “Nós somos uma União e numa União ninguém fica para trás”.
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