Estou de volta à Madeira e uma vez que não me parece que vá existir nenhuma reunião dos órgãos próprios do PS para analisar os resultados eleitorais de Gaula, faço-o aqui publicamente…
Começo por manifestar a minha solidariedade com os candidatos socialistas e agradecer aos 70 eleitores de Gaula que votaram no PS!
É também necessário cumprimentar os únicos vencedores deste processo eleitoral – o PSD.
Tal como eu já tinha previsto, o PSD ganhou as eleições! Com os conflitos públicos no PS de Gaula e com a divisão por duas listas, o mais normal seria a dispersão de votos e a vitória do PSD… Foi o que aconteceu…
Mas a dispersão de votos entre o PS e o “Povo de Gaula” não foi propriamente equilibrada… Eu esperava uma distribuição mais equilibrada entre estas listas, apesar de tudo…
A lista do “Povo de Gaula” também perdeu. Não só perdeu nesta eleição, como também perdeu estrategicamente, porque este resultado torna muito difícil o sucesso do projecto pessoal do Filipe Sousa de concorrer a Santa Cruz daqui a um ano. Por arrastamento também perderam o CDS-PP e o BE.
A CDU faz uma festa não só por ter conseguido o apoio de eleitores tradicionalmente do PS e por ter tido mais votos do que o PS, mas também por ter tido mais protagonismo do que o BE e o CDS-PP. Para a CDU é uma festa ver os demais partidos da oposição de rastos…
Mas sobre o PS é necessário fazer mais alguns comentários…
Parece-me que o PS esteve mal na estratégia que implementou e continua mal nos poucos comentários posteriores ao resultado eleitoral.
O PS e o seu líder não podem andar meses prosseguindo uma estratégia de uma ampla coligação autárquica em 2009 e recusar um projecto integrador em 2008 (pelo menos com o CDS-PP e BE) liderado por figuras conotadas com o PS…
Na última convenção, a minha posição foi claramente contra essa estratégia de coligação no actual cenário político nacional, mas uma vez que a direcção quis, legitimamente, implementar essa estratégia, tinha de ser coerente e apoiar uma lista de oposição com possibilidades de ganhar.
A actuação do líder do PS neste processo pareceu mais uma vingança e uma defesa da honra ofendida do que uma actuação racional na defesa institucional do Partido que lidera.
João Carlos Gouveia tem dito vezes sem conta que o que importa é derrubar o regime. Não importa ganhar uma Freguesia ou uma Câmara se não for derrubado o regime.
Eu acho esta ideia um completo disparate! O PS precisa de credibilizar quadros políticos através da sua actuação autárquica…
Mas se o João Carlos Gouveia acha as autarquias irrelevantes, e nomeadamente Gaula, porque é que lhe deu mais importância do que ela tem?
Porque é que encarou estas eleições antecipadas como encarou?
Devido à sua atitude, o resultado eleitoral, fosse ele uma eventual vitória do PS ou uma provável derrota, seria sempre um péssimo resultado estratégico para o PS por dividir o eleitorado socialista…
Se o que é mais importante é derrubar o regime, conforme afirma o João Carlos Gouveia, então o PS não pode sobrevalorizar o estado de alma do Filipe Sousa e não pode ter medidas desproporcionadas face à “infracção” do Filipe Sousa de achar que é mais fácil ganhar eleições na Madeira com listas de independentes…
O PS não pode dizer mal de quem já o representou e achar que o eleitorado compreende…
O João Carlos Gouveia ataca os camaradas que se lhe opõem como ataca o PSD e esquece-se das coisas que diz e faz… Aponta para os outros, nomeadamente a anteriores direcções, as responsabilidades pela sua manifesta inabilidade em gerir pessoas.
Gostaria de referir, sem no entanto aqui reproduzir, o que o João Carlos Gouveia disse na última reunião da Comissão Regional realizada no Eden Mar onde clarificou a sua estratégia para as eleições autárquicas de 2009… Os que lá estiveram até ao fim da reunião sabem do que falo… Nessa altura o “conflito” com Filipe Sousa ainda era uma criança… e o incendiário era o João Carlos Gouveia…
Com o João Carlos Gouveia, mesmo depois de bater bem forte com a cabeça na parede, a estratégia continuará a ser jogar-se de cabeça contra a parede e cada vez com mais força… até que se abra uma brecha na parede ou já não exista cabeça… E quem no PS achar que não é esse o caminho para ultrapassar o muro será acusado de estar a “fazer o jogo do PSD” e será atacado com a mesma veemência…
É por isso que o João Carlos Gouveia está cada vez mais sozinho… vai de depuração em depuração até que no fim só ficará ele, qual mártir, a se jogar de cabeça e com a máxima força que restar contra a parede…
Felizmente já só falta um ano para terminar o mandato… Como o tempo passa depressa…

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