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Archive for Outubro 24th, 2008

24 Out 2008 Bancos – manipulação do mercado

Hoje, os cinco maiores bancos portugueses anunciaram concertadamente que vão recorrer ao aval do estado conforme a lei recentemente promolgada, para garantir os seus empréstimos de médio/longo prazo.

O pressuposto de base dos bancos é correcto – se os bancos emprestam aos clientes a médio/longo prazo também se têm de financiar a médio/longo prazo.

Mas a declaração simultânea de vontade de recorrer a este mecanismo não é inocente. Todos os bancos sabiam que o primeiro deles a anunciar o recurso a este mecanismo de garantias seria penalizado em bolsa pela desconfiança que lançaria…

Se os demais bancos não emprestam a esse banco em especial é porque esse banco está menos sólido do que os outros.

Ao anunciarem todos em simultâneo sem mencionar montantes ou prazos parece-me que estão todos a actuar concertadamente numa manipulação de mercado!

A garantia estatal que nenhum banco entrará em falência faz com que a actividade bancária deixe de ter risco significativo para os accionistas.

Se os bancos tiverem lucros são para os accionistas (pela valorização das acções e/ou distribuição de dividendos); se tiverem prejuízos o estado assume o prejuízo e são todos os cidadãos a pagar através dos impostos.

Um investidor que compre hoje accçõs de um banco, qualquer um deles, sem a mínima intenção de as vir a vender arrisca muito pouco porque se o banco tiver lucro ganha, se tiver prejuízo não perde.
Conclusão: privatiza-se o lucro e socializa-se o prejuízo…

Tem sido repetido à exaustão que a garantia estatal tem um custo e que se for accionada o Estado passa a ter poderes especiais na administração do banco e nos salários pagos dos mesmos – ou seja fica com uma espécie de golden share. Mas isso é suficiente?

Existirá alguma empresa neste país que não quisesse o seguinte esquema: a empresa pede dinheiro emprestado a terceiros com a garantia de pagamento do estado em caso de incumprimento. Se correr bem fica com os lucros e pagou uma comissãozinha pela garantia prestada pelo estado. Se correr mal o Estado fica com a empresa e assume os encargos… É trigo limpo e risco zero pois quem garante o pagamento do empréstimo em caso de correr mal é o Estado…

Se o Estado estender este programa a todas as empresas existentes ou a criar, em vez de o fazer apenas para os bancos, o país descobrirá rapidamente que afinal existem centenas de milhares de empreendedores por esse país fora à espera de uma oportunidade destas…

Ambrose Bierce dizia que “As empresas são um mecanismo engenhoso de permitir o lucro individual sem responsabilidade individual”.

Com este mecanismo de garantia, os bancos passarão a ser um mecanismo engenhoso de gerar lucros com base em dinheiro que não é dos accionistas ou dos depositantes, tendo o estado a pagar os eventuais prejuízos, no caso dos administradores bancários fazerem mal o seu trabalho apesar de principescamente pagos.

Mas existiam alternativas?

Sim! Se o problema era apenas garantir o acesso a empréstimos então poderia ser a Caixa Geral de Depósitos a emprestar aos demais bancos portugueses à taxa de mercado, tendo o estado apenas de garantir um eventual aumento de capital da CGD na fracção exígivel para permitir a alavancagem.

Sim! Se o problema era a falência de bancos então nesse eventual cenário a CGD poderia adquirir as acções do banco em falência a preços de saldo com posterior incorporação deste banco na CGD. Neste cenários os accionistas sairiam mais penalizados do que com o sistema que agora está em curso.
Porque se o tal accionista paciente disposto a comprar agora acções do banco viesse a vender as suas acções em caso de pré-falência não ganharia dinheiro nenhum. Se optasse pela incorporação na CGD também ficaria a perder porque essa incorporação seria sempre feita a preços de mercado.

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24 Out 2008 Alan Greenspan – declarações bombásticas

Alan Greenspan, que de 1987 até 2006 foi a cara da Reserva Federal Norte Americana, testemunhou hoje perante o Congresso Norte Americano com declarações bombásticas.

Disse estar chocado porque durante 40 anos acreditou que a livre actuação do mercado, nomeadamente dos bancos, era a melhor solução para avaliar o risco na defesa das instituições e dos respectivos accionistas.
Ou seja, Alan Greenspan vem dizer que deixou de acreditar na mão invisível do mercado e passou a defender a existência de regulação, depois de 40 anos a defender o contrário.

Pois é… continua a implosão do capitalismo! Este é um tempo para surgirem novos estadistas (ou revolucionários loucos)

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