O professor Miguel Fonseca, meu caro amigo e camarada, respondeu no seu blog Basta Que Simao meu post anterior.
Eu sou favorável a que existam sistemas de avaliação para todas as pessoas em todas as profissões!
Entendo a avaliação como um momento de reflexão sobre o que estamos a fazer bem e o que estamos a fazer mal ou não suficientemente bem, permitindo a correcção e a melhoria contínua.
Na minha empresa fazemos avaliação a cada seis meses num modelo de avaliação 360 graus, ou seja, todos avaliam todos com base em vinte e tal critérios. Quando digo todos são mesmo todos! Os sócios gerentes da empresa também são avaliados pelos funcionários, com o mesmo formulário e ao mesmo tempo.
Na última avaliação (em Junho) tive 14,6 valores em 20 e fui “apenas” a quarta melhor nota na empresa… A melhor nota foi um 16,2. Como podes ver Miguel Fonseca, a defesa que faço dos sistemas de avaliação não é retórica mas uma prática.
Concordo contigo que existem outras áreas onde não existe avaliação efectiva e onde ela é particularmente necessária.
Os professores não são a única classe social com regimes de previlégio. O caso dos médicos é bem mais gritante do que o dos professores e espero que um futuro governo tome medidas para resolver essas injustiças. Por exemplo, como se justifica que o Governo Regional convencione um pagamento por parte do estado por consulta no privado num valor superior ao que paga por hora aos médicos no sistema público? Ainda por cima quando são os mesmos médicos que desempenham funções no público e no privado?
Ou seja, os médicos aproveitam o seu papel de funcionário público para ter formação, contactos, etc. E utilizam os seus consultórios para receber extras pagos maioritariamente pelo estado…
Mas existem outros previlegiados… Existe um grupo de estivadores na Madeira, ao contrário do que se poderia pensar, que são escandalosamente previlegiados.
Os destacados (maioritariamente professores de educação física) também são uns previlegiados.
A falta de avaliação dos políticos é escandalosa! Presume-se que os políticos são julgados pelo povo em eleições, mas a verdade é que no nosso sistema político vota-se em partidos, quando muito em líderes, e não em políticos individualmente.
Se os políticos fizessem uma avaliação periódica inter-pares com base em critérios objectivos e quantitativos, estou certo que a qualidade da actuação melhoraria a olhos vistos!
Mas os políticos, como os professores, têm receio de ser avaliados individualmente porque sempre viveram numa cultura de baixa exigência individual e de empurrar para o lado as responsabilidades que são de todos.
Mas não são só os professores que têm de avaliar a Ministra da Educação, mas todos os Portugueses!
Pelo que percebi, o critério dos resultados dos alunos é apenas retirado neste ano uma vez que existiam dificuldades operacionais em obter essa informação de forma fácil e rápida…
Eu não tenho dúvidas que existe pluraridade dentro do PS, mas a posição pública veiculada pelo PS é apenas uma e é a essa que me refiro.
Com a delicadeza de uma foice, o meu camarada Miguel Fonseca introduz uma referência a uma fuga de informação muito grave detectada no tempo em que fui vice-presidente. De facto, o Miguel Fonseca não foi o responsável por essa fuga de informação, a responsabilidade foi do staff do Secretário Geral (nacional) do Partido de então. Apesar dessas conversas terem sido apenas internas, o Miguel Fonseca volta a trazê-las a público, sinal que o meu pedido de desculpas de então não foi suficiente, pelo que reitero-o neste momento.

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