Como aprende o cérebro? Esta é uma conferência muito interessante para pais, educadores, mas também para políticos que têm ou podem ter a área da educação e da reinserção social como responsabilidade.
http://www.ted.com/index.php/talks/lang/eng/michael_merzenich_on_the_elastic_brain.html
Esta conferência é de 2004, mas só foi divulgada no TED no passado mês.
A parte inicial é um pouco chato e o homem não é um grande comunicador, mas as conclusões desta conferência de 23 minutos são muito, mesmo muito importantes.
Basicamente, os cientistas observaram a evolução do cérebro na aquisição de conhecimentos/competências/processamento de informação.
Existe uma fase inicial de desenvolvimento do cérebro, nos bebés, onde o cérebro reage a tudo o que lhe é apresentado, sons, imagens, movimentos, etc. Tudo é processado como um todo, independentemente de ter ou não significado. O cérebro está a preparar-se para ser um processador de dados e habitua-se a receber aquele tipo de informação, independentemente de ter ou não significado útil. O cérebro é plástico e modifica-se fisicamente para lidar com a informação que vai processar.
Isto significa que expor um bebé a vários tipos de sons, ruídos, músicas, ambientes, cheiros, luz, toques, e tudo o mais que possam imaginar, permite-lhe desenvolver o cérebro para estar preparado para melhor receber e processar aquele tipo de informação, mesmo que nessa fase não faça nada racional com essa informação. Basicamente, um bebé “bem treinado”, ou seja, bem exposto ao meio ambiente, terá no futuro uma curva de aprendizagem muito mais eficiente…
A exposição limitada ou com “ruído” a uma determinado elemento faz com que a representação cerebral dessa informação seja deficiente, o que leva a um mau desempenho futuro.
A vertente política desta conferência tem a ver com as possibilidades de reintegração de alunos com dificuldades de aprendizagem. O que é aqui é defendido é que para corrigir dificuldades de aprendizagem é necessário voltar a facultar os meios para o desenvolvimento do cérebro da primeira fase, através de treino específico.
O neurocientista Michael Merzenich defende que “refazendo as ligações” através de treino é possível melhorar drásticamente o desempenho dos alunos, por exemplo, na capacidade verbal.
Os mesmos princípios são aplicáveis com os problemas do cérebro com a idade. O problema é que temos pessoas com cérebros que estão a falhar pouco a pouco e que necessitam de ser treinados para refazer as ligações nos cérebros e recuperar as competências utilizando outros caminhos no cérebro que não passem pelos pontos “avariados”.
Para terminar, o cientista defende que passemos a fazer aeróbica do cérebro para manter a boa forma e o bom desempenho, tal como acontece com o resto do corpo.
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