Depois dos 4 dias de Alô Presidente, tive de fazer uma pausa para me recompor até conseguir voltar a falar sobre o ditador Venezuelano (embora eleito democraticamente).
Quando o Chavez esteve na Madeira em Outubro de 2001 foram só beijinhos e abraços por parte das autoridades regionais.
Já quando Jardim foi à Venezuela em Julho de 2008 já nem foi recebido por Chavez, apesar de ter alterado toda a agenda da sua viagem só para conseguir uns minutinhos com o Presidente Venezuelano.
Vejam o que foi dito em 1999 pelo Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira e pelo Presidente da Venezuela quando passou pela Sessão Solene no Parlamento Regional.
Será que as autoridades regionais gostaram das referências ao livro livro Jangada de Pedra e ao seu autor José Saramago, que 3 anos antes (1998) tinha ganho o Prémio Nobel da Literatura… e que mereceram inacreditáveis epítetos por parte do líder regional?
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O SR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA REGIONAL DA MADEIRA (Miguel Mendonça):- Declaro aberta esta Sessão Solene em honra de Sua Excelência o Presidente da República Bolivariana da Venezuela.
“Senhor Presidente da República Bolivariana da Venezuela Excelência
Senhor Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação em representação do Governo da República Portuguesa Excelência
Senhor Presidente do Governo Regional Excelência
Senhores Ministros do Governo da Venezuela Excelências
Excelência Reverendíssima o Bispo do Funchal
Senhor General Comandante da Zona Militar da Madeira Excelência\
Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal e da Associação de Municípios da Madeira Excelência
Demais Autoridades Civis, Militares e Policiais Venezuelanas, Nacionais e Regionais
Excelentíssimos Convidados
Senhoras e Senhores Deputados da Asembleia da República e da Assembleia Legislativa Regional
É com o maior regozijo que este Parlamento, sede do poder legislativo desta Região Autónoma Portuguesa, se reúne hoje em Sessão Solene para saudar respeitosa e carinhosamente Sua Excelência o Presidente da República Bolivariana da Venezuela cuja presença entre nós é motivo de particular honra para a nossa Região e para, de viva voz, expressar-lhe o nosso sentimento colectivo de que o mais alto magistrado da grande Nação Venezuelana é bemvindo à Madeira; que a Madeira acolhe Vossa Excelência com a exultação dos grandes momentos que fazem história; que desta primeira visita oficial de um Chefe de Estado da Venezuela à Madeira fica não apenas o registo inapagável do facto em si mesmo mas o profundo significado a ele inerente – o de Vossa Excelência, Senhor Presidente, ter querido dar testemunho público e institucional de quanto encarece os laços históricos que ligam, pela emigração, que o mesmo é dizer pelo sangue, pelo trabalho e pelo sucesso a Madeira à Venezuela.
Somos, Senhor Presidente, um pequeno território arquipelágico da ultraperiferia europeia, politicamente autónomo e dotado de órgãos de Governo próprio, legitimados pelo voto popular.
Com pouco mais de 250 mil habitantes projectamos a nossa presença no mundo através de uma diáspora que congrega mais de 1 milhão de emigrantes, incluíndo segundas gerações, com particular destaque para a Venezuela, destino dos mais sonhados pelos que da Madeira e do Porto Santo um dia partiram para o desconhecido na busca de novas oportunidades de vida.
Senhor Presidente
A insularidade, a condição de ilhéu com todas as vicissitudes que tal condição comporta faz parte da essência do nosso quotidiano.
Orgulhamo-nos de sermos o que somos, de sermos de onde somos e de a nossa história, de quasi seis séculos, despontada com a alvorada épica dos Descobrimentos Marítimos Portugueses no Século XV incorporar, também, de forma indissociável, a saga da nossa emigração presente em todos os continentes.
Emigração protagonizada por gente simples e sã, por gente sofrida mas com a ambição de vencer que dos países de acolhimento fez a sua casa, que se integrou nas suas sociedades, culturas e tradições participando com o seu trabalho honrado e rectidão de carácter nas grandes causas nacionais desses mesmos países, nomeadamente nos desafios permanentes do seu desenvolvimento integral.
Tenho por certo que não haverá família madeirense ou portosantense que não tenha, no presente, ou não tivesse, no passado, parentes emigrados na Venezuela onde definitivamente se fixaram e, continuadamente, cultivaram o amor à Venezuela e à Madeira, contribuindo assim para a apróximação cada vez maior da Madeira à Venezuela e para o reforço dos laços afectivos que unem esta Região à República Bolivariana da Venezuela.
Senhor Presidente
A Presença de Vossa Excelência nesta Assembleia Legislativa, primeiro órgão de Governo próprio deste território autónomo, constitui um momento singular para que a vossa Excelência se expresse um reconhecimento e se lavre um agradecimento.
Reconhecimento pelas oportunidades propiciadas, pela Venezuela, a milhares de madeirenses que nas terras de Simón Bolivar encontraram condições de vida que aqui lhes foram negadas numa época obscurantista da história contemporânea de Portugal durante a qual a ditadura silenciou liberdades fundamentais, amordaçou a voz do povo e atirou para o esquecimento e para o subdesenvolvimento as regiões do interior de Portugal e as suas ilhas atlânticas.
Com o advento da liberdade e da democracia, trazidas pelo golpe militar de Abril de 1974, derrubaram-se barreiras, cortaram-se amarras obsoletas e irrealistas e retomámos, com novos alentos e entusiasmos, a nossa identidade colectiva de mãos dadas com as comunidades madeirenses residentes no estrangeiro que, connosco, sempre se perfilaram na primeira linha do combate pela autonomia política que remos , que conquistámos e que nos cabe aprofundar e defender.
Agradecimento, porque a Venezuela teve sempre para com a comunidade portuguesa em geral, e a comunidade madeirense em particular, uma atitude de carinho e solidariedade que facilitaram a plena integração de milhares de famílias saídas da Madeira rumo ao desconhecido.
Permita-me Senhor Presidente que nesta breve intervenção deixe uma nota da maior admiração pelo percurso de inusitado esforço, inquebrantável determinação e persistência e grande sofrimento por que teve de passar o povo venezuelano na sua luta pela independência depois de 300 anos de domínio da coroa de Espanha.
É a memória da caminhada de um povo heróico que tem como figuras cimeiras Simon Bolivar e Francisco de Miranda, caminhada que começou a tomar forma e ritmo imparável no longíquo 19 de Abril de 1810 e culminou com a Acta da Independência, aprovada em 7 de Julho de 1811.
Hoje a Venezuela é Um país que, em democracia, está a construir um novo futuro e a conquistar um novo lugar, o lugar que efectivamente lhe compete, no concerto das nações.
Certamente que se debaterá com dificuldades comuns às demais nações deste mundo que temos e que no percurso das nossas vidas vamos fazendo, mas a Venezuela encontrará soluções para o seu provir e tem fortes motivos para sonhar.
Senhor Presidente
Tem Vossa Excelência Senhor Presidente Hugo Chávez Frías a inquestionável legitimidade democrática, decorrente da sua eleição pelo povo venezuelano no processo que viabilizou, em Dezembro de 1999, a aprovação de uma nova Constituição ratificada, em Referendo, por ampla maioria dos cidadãos eleitores venezuelanos.
Vossa Excelência prometeu a mudança ao país de que é o mais Alto Magistardo que, tal como o seu povo, e os emigrantes madeirenses que nele vivem, não aceita acomodar-se, recusa o imobilismo e pugna pela justiça social, pela igualdade de oportunidades de acesso, dos seus filhos, aos bens temporais e aos bens do espírito.
Por caminhos diferentes, mas rendo sempre como pano de fundo os inalienáveis valores da democracia, ressalvadas as devidas proporções que distanciam um Estado soberano – a Venezuela – de uma pequena região, com autonomia política – a Madeira – nós também temos um percurso de luta por um futuro melhor para este território e pela afirmação do nosso direito à diferença.
Senhor Presidente
Se todos os povos guardam no acervo dos seus mais preciosos bens os seus símbolos pátrios, os feitos dos seus maiores, a memória dos seus heróis e mártires, os relatos das epopeias que enformam a sua história, o registo da produção intelectual dos seus homens de saber e dos seus homens de letras, permita-me Excelência que nesta ocasião evoque Andrés Eloy Blanco, poeta, dramaturgo, orador, político e jornalista, figura de primeiro plano da literatura venezuelana e que da sua obra poética reproduza um breve excerto do seu poema “La Barca Futura”, que se me afigura adequado a este momento, quando cantando o rio Orinoco, símbolo majestático e sempre vivo da Venezuela dizia:
“Rio de nuestra esperanza,
Cuando la esperanza sea!
Rio de nosotros, nuestro espejo mismo,
Espejo de esta alma nuestra
Por la cual, incansable como tú de horizontes,
Trasudamos en vueltas y revueltas”
É a esperança espelhada “En el rio de las Siete Estrellas, camino del Libertador…” que augura novos horizontes de progresso e felicidade à Venezuela e ao seu povo, que a Madeira tomará também e sempre como sua felicidade.”
Muito obrigado.
Transcrito do original.
Aplausos gerais.
O SR. PRESIDENTE DA REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA (Hugo Chávez Frías):- Excmo. Señor José Miguel Jardim, Presidente de la Asamblea Legislativa de esta Región Autónoma de Madeira
Honorables Diputados y diputadas de este cuerpo legislativo
Excmo. Señor Alberto João Jardim, Presidente del Gobierno Regional de Madeira
Demás autoridades civiles presentes
Reverendísimo Don Teodoro Faria, Obispo de la ciudad de Funchal
Mayor General José António dos Alves, Comandante General de la Zona Militar de Madeira
Demás Autoridades Militares de la Región
Señor Canciller de Venezuela
Señores Embajadores
Señora Maria Elena Gonzáles Benítez, encargada del Consulado de Venezuela, en Madeira
Demás compatriotas integrantes del cuerpo consular
Distinguidos invitados especiales
Apreciados periodistas, camarógrafos, fotógrafos
Señoras y señores
Hace ya algunos años, creo que, casi 40, alguien me hablaba de Madeira. Esto era por los años 60, estaría este humilde servidor en el primer grado o segundo, quizá, de la escuela primaria, en un pequeño pueblo campesino, al sur de Venezuela, en las inmensas sabanas, que corren desde los Andes hasta el Orinoco, y más allá, hasta la selva del Amazonas. Pues en aquel pequeño pueblo, a orillas de un río y rodeado de campos para la siembra y de campesinos, alguien hablaba, recuerdo así muy lejano, de una isla allá lejos, más allá del mar, de donde aquella persona había llegado, a aquella inmensa sabana venezolana.
Entonces, el niño que era – recuerdo que se llenaba de sueños oyendo los cuentos de una dama que hablaba el español, pero con ese acento portañol, que después uno consiguió y aprendió a entender.
¡Bueno! Usted habló en perfecto portugués.
Por allá, por la frontera con Brasil nos entendemos perfectamente, con ese idioma cruzado del español con el portugués.
Pues, aquel niño recuerdo que se ilusionaba y pensaba en los mares grandes, que no conocía, en los cielos infinitos, en montañas, en zonas muy verdes y muy hermosas y en gente muy noble, muy buena, muy sencilla y muy trabajadora.
Cuarenta años después, ese mismo niño, un poco más crecido, pues ha llegado a Madeira y debo decirles que, por más hermosos que fueran los recuerdos, no es comparable lo que se figuraba aquel niño, a lo que hoy mis ojos han visto en este cielo hermoso, en esta isla hermosísima, en este azul infinito, en esas montañas verdes, en esas laderas llenas de hermosas viviendas, de caminos, de siembras y por sobre todo esto, ese noble pueblo madeirense.
Así que, uno los recuerdos, junto los sueños con la realidad, para decirles junto a mis compañeros de travesía, que nos sentimos verdaderamente, más allá de la palabra – nos es protocolo esto, no es un cumplido – verdaderamente nos sentimos infinitamente felices este día de Octubre en Madeira.
Y traemos el inmenso amor y afecto del pueblo venezolano al pueblo madeirense. Pueblos unidos ya, desde hace tiempo y para siempre. Unidos por las corrientes de nuestra historia, unidos por la fe, por la sencillez, por el amor, por el trabajo, por los sueños, por la esperanza, por el esfuerzo.
Traemos el saludo de aquel pueblo venezolano, que hoy ha resucitado de una especie de tumba a la que había llegado, en las últimas décadas y que gracias a Dios y a la fortaleza misma de nuestro pueblo, hoy ha retomado de nuevo su propia bandera, ha retomado de nuevo su propio camino, ha retomado su propia vida.
José Saramago, entre tantas maravillas que ha escrito y ha creado, inventó aquello de la barca de piedra. Como sabemos todos, pues, aquella novela donde se produce una fisura allá en el continente y se va separando la península de la Europa y los vientos del norte cruzados con los del leste y no sé cuál más, van empujando una barca de piedra – la península ibérica –. Y que casualidad, hacia donde la empujan, hacia el sur-oeste, hacia el caribe nostrum. Y aquello genera una serie de tensiones mientras la barca se mueve, y va directo hacia allá y nadie puede desviarla. Intentan desviarla, se mueven ejércitos, pero la barca va.
Creo que Saramago recoge siglos y crea una ilusión, pero que es como un llamado. Porque hay muchas formas de ir y de venir. No tiene porque separarse. No queremos nunca que se separe la península físicamente del continente. Pero si creo que esa figura de la barca de piedra, de Saramago, tiene siglos y yo me atrevería a decir que es realmente una barca de agua. Una barca de agua que va y que viene, que ha estado yendo y viniendo durante centenares de años. Y esa barca de agua, pues toca la península corre por el atlántico y toca las costas caribeñas de Sudamérica, en cuyo pecho esta Venezuela.
Y como pudiéramos figurarnos a Madeira dentro de esa barca infinita e azul, cargada de amores que van y de amores que vienen, de afectos que van y de afectos que vienen.
Madeira pudiera ser, perfectamente, el mástil de esa barca, en el corazón del océano, o una atalaya de la inmensa barca desde donde alguien pudiera mirar hacia el sur y mirar hacia el norte, un poco como aquel viejo Dios mitológico Jano, que tenia una cara hacia el pasado y otra cara hacia el futuro. Una cara hacia el norte y otra cara hacia el sur.
O entonces, Madeira dentro de esa figura de la barca azul y gigantesca, pudiera ser, perfectamente, un paraíso en el medio de la inmensidad. Un corazón palpitante, en la inmensidad de la barca. Así lo creo.
Y nosotros somos, decía Simón Bolívar: – hace ya casi dos siglos – ni somos americanos del norte, ni somos europeos, ni somos africanos; los latinoamericanos somos una mezcla de todo esto. Una mezcla de sangres, una mezcla de razas, una mezcla de ideas, de sueños y conformamos ya un perfil propio, un perfil propio que, sin embargo, anda buscando todavía su camino.
La América Latina aún anda buscando su camino. La Norteamérica consiguió su camino. La Europa hace tiempo lo tiene, y ahora con más firmeza. El Asia tiene sus caminos. Nosotros aún lo andamos buscando, aún lo andamos construyendo; porque habrá que construirlo más que buscarlo. Habrá que hacerlo. A Dios rogando y con el mazo dando.
Y en esa búsqueda andamos y en esa búsqueda navegamos por la barca de piedra y por la barca de agua. Y en esa búsqueda recorremos los paralelos y los meridianos.
La América Latina requiere y necesita la Europa, una vez más. La América Latina requiere y necesita Portugal una vez más.
Y Madeira, ubicada geopolíticamente, en un sitio extraordinario para cumplir, para seguir cumpliendo con ese papel de atalaya, de puente, de paraíso, de enlace, de conexión como queramos llamarlo, en esa búsqueda de caminos, en esa construcción de caminos.
En estos últimos días hemos estado viajando por Europa y África y hoy, en Madeira, cerramos de manera hermosa y muy sentida nuestra visita, por primera vez, en lo personal y también, en lo político. Como gobierno por primera vez a Portugal, para salir esta misma noche hacia el Medio Oriente y estar el domingo en Moscú y luego regresar por Londres hacia Canadá y después por Méjico hacia Caracas, en estos próximos cuatro días daremos esa vuelta.
Pero en la Europa hemos estado hablando con líderes del continente, líderes políticos, líderes religiosos, líderes comerciales, sociales, académicos, intelectuales. Hemos estado hablando sobre esto, sobre el camino que busca la América Latina y de cómo la América Latina buscando ese camino, construyéndolo necesita de nuevo la Europa, desde Paris hasta Roma, Bruselas, Viena y Lisboa. Y ahora Funchal, estamos repitiéndolo.
Especialmente hay que repetirlo en estos días cuando el mundo es amenazado una vez más. Comenzando este siglo y este milenio por los tambores tenebrosos de la guerra.
Especialmente ahora cuando se vivió un momento cumbre y es bueno que tengamos conciencia de ello, estamos viviendo, así lo creo, un momento de esos que definen la historia.
De lo que se haga en estos días o lo que se deje de hacer, podrá depender el siglo que está comenzando, o los siglos por venir.
Creo que es momento de elevación, el Papa su santidad lo a estado diciendo y repitiendo. Y tuve la dicha de conversarlo con él, hace unos días, en el Vaticano.
¿Es la guerra el camino o es el amor el camino?
Y ahora cuando de nuevo, a raíz de los sucesos de Nueva York, de Washington, abominables y aborrecidos por todo ser humano racional y conciente, nadie lo duda, sin embargo, se ha desatado un nuevo riesgo, un nuevo peligro, que ya no solo el terrorismo, que es bastante por si mismo. Si no el riesgo a que venga una escalada bélica sin limites de tiempo, de espacio, de fronteras, ni leyes que puedan frenar la irracionalidad de los seres humanos cuando se desatan las bombas y se desata la muerte.
Creo que es momento de pedir por la paz, de alinearnos con las voces que llaman a la reflexión, como la de Su Santidad Juan Pablo II. Alinearnos como católicos, como cristianos, como creyentes, porque ya no se trata de nosotros, ni siquiera.
Ya a nosotros no nos queda mucho tiempo en la barca. No importa cuantos años nos queden aquí, pero no son muchos. Estamos de retirada, pasaremos hacer parte del agua o de la roca.
Ya se trata de los niños y de nuestros hijos, los que están creciendo, los que están soñando con mundos azules o los que están naciendo ahora mismo o nacerán mañana, los que andan palpitando en el vientre de millones de madres en el mundo.
Se trata de ellos ya, creo que tenemos que asumir una posición de mucho coraje en este momento histórico, de mucha valentía, de mucha altura para pedir paz, no para aventar los vientos de la guerra, nada justifica los vientos de la guerra. No hay nada que pueda justificar la muerte, no se puede responder al terror con más terror, ni a la muerte con más muerte.
A la muerte hay que responderle con vida, a la oscuridad hay que responderle con luz, a la desesperanza hay que responderle con esperanza. Creo que es momento de decirlo, de unirnos y exigir paz, exigir vida para nuestro futuro, para nuestros hijos. No tengamos mañana que arrepentirnos de cosas más graves de las que hasta ahora nos arrepentimos.
En este marco de preocupaciones, como anoche diría el Presidente Sampaio en una exquisita reunión y una cena que nos ofreció en el Palacio, en Lisboa, decía: estos tiempos sombríos de repicar de tambores de guerra, sin embargo, desde Funchal con este sol que nos ha regalado Dios, con este cielo azul, con esta fe y con este amor que aquí se respira por todas partes, sin embargo, con ese amor y esperanza como bandera, es conveniente ratificar a Madeira y a su pueblo el compromiso del pueblo venezolano, precisamente con eso, con la paz, con la hermandad. Y hemos venido aquí a decirlo y hemos venido aquí a comprometernos muchísimo más por el trabajo conjunto y así lo hemos manifestado al señor Ministro de la República, al señor Presidente de la Autonomía, al señor Presidente de la Asamblea Legislativa y a todos ustedes.
Y ruego a los medios de comunicación que lo digan y que lo pregonen por todas partes.
Venezuela viene por mi voz a extender los brazos y el corazón a Madeira.
Y queremos y lo vamos a lograr, estoy seguro, profundizar esas relaciones que nos van a permitir elevar nuestros niveles de vida y contribuir de esa manera a salir enfrente a esos tiempos sombríos que amenazan en los horizontes.
Porque en la medida en que nuestros pueblos vivan mejor, en la medida en que haya mayor nivel de calidad de vida, en la medida que haya mayor grado de justicia, lo dice la Biblia, habrá paz. Mientras no haya justicia no habrá paz en el mundo, eso está escrito, es palabra de Dios – perdón Monseñor – está escrito.
A mí me parece muy importante lo que venia leyendo, ahora, en el avión, por ejemplo. Mirar una foto llegada por Internet, esta mañana de Londres, adonde estaremos dentro de pocos días -Dios mediante – y ver al Primer Ministro Tony Blair al lado de Yasser Arafat, y decir que el Primer Ministro está de acuerdo con el estado Palestino. Hay que aplaudirlo, porque el pueblo palestino merece paz, merece justicia, igual que todos los pueblos del mundo, igual el pueblo de Israel, paz es lo que queremos.
Eso hay que aplaudirlo y el Presidente Bush, también, lo ha dicho. Bueno, vamos a tomar la palabra y vamos a pedirle todos a Naciones Unidas que no se queden en palabras.
Justicia para todos. Esta es la única manera de que haya paz para todos.
¿Y que pasa con los que mendigan por las calles? ¿Que pasa con los millones, que son miles, de seres humanos que en el planeta tierra y que somos todos hijos de Dios, en este mismo instante no tienen que comer, ni tienen donde vivir? ¿Qué pasa con ellos? ¿Cuál es esa tesis del mercado, una mano invisible supuesta que va arreglar todo en el mundo?
¡Mentira! Insensatezes.
Alguien diría: la economía es estúpida, a la economía habría que responderle si, está bien. La sociedad: estupidísimo, la sociedad, el ser humano.
Es momento de repensar, es momento de tomarnos de la mano y de mirarnos a los ojos, de recuperar el sentido de la igualdad. No hay seres superiores a otros.
¡Mentira!
Blancos, negros, indios, amarillos, flacos o gordos, hombres e mujeres, todos somos iguales.
Pero hace tiempo largo perdimos ese sentido. Y nos dividimos en: algunos que son más iguales y otros que somos menos iguales.
En el sur por ejemplo, de donde nosotros venimos, de la América Latina, del Asia y del África, ahí lo que cunde por todos los lados es la miseria, la pobreza, la marginalidad, el hambre y la muerte.
Los niños en la calle, los campesinos sin tierra, la familia sin vivienda, los caminos oscuros y por tanto de allí surgen. ¿Que puede surgir de allí? La violencia.
Decía un indígena latinoamericano, hace unos años, que salió con un fusil y otros más detrás de él, y le preguntaron: ¿Y porque usted agarró un fusil y disparó y mató? Y él dijo clarito: Porque yo prefiero morirme peleando que morirme de hambre.
Hoy, más que nunca, debemos retomar los viejos dogmas y principios del humanismo, del cristianismo, de la igualdad – llámese como se llame -.
Yo recuerdo que una vez en la Habana, hablábamos de esto, hace unos cinco años, recién salía yo de prisión… Porque una vez agarré un fúsil también, pido perdón, pero sí lo hice y no me arrepiento además.
Una vez Cristo agarró un látigo y les entro a latigazos a unos mercaderes que habían tomado el templo. ¡Cosas de la historia! Cosas de cosas, de los seres humanos y de las tragedias de nuestra historia.
Pero una vez en la Habana, estábamos hablando de cosas como estas, y recuerdo a Fidel que dijo: Aquí en Cuba llamamos a la lucha por la igualdad “Socialismo” ustedes allá la llaman “Bolivarianismo”. Si la llamaran “Cristianismo” incluso estoy de acuerdo.
No importa como se llame la lucha por la justicia, lo importante es que no sea de mentira; porque hay muchos que hablan de luchar por la justicia y….. es de mentira.
Hay que levantar la verdadera bandera de humanismo, ya basta de tanto horror en el mundo. Vamos a tratar de que los años que nos queden de vida, cuantos sean, cuantos Dios quiera, vamos a dedicárselo de lleno y abrirnos el pecho y a luchar todos juntos por la igualdad y por la justicia en el mundo.
Señor Presidente, nunca olvidaré la Cumbre del Milenio, hace un año, en Nueva York y allá los presidentes del mundo firmamos una declaración.
Yo esa noche casi no dormí, lo juro. Porque… bueno había que firmar. Como hace uno para decir: Mira yo no voy a firmar esto. Si es el consenso del mundo y uno lo hace con mucha fe. Pero que declaración aquella.
Uno de los compromisos que asumimos, fue que para el año 2015 debemos haber reducido la pobreza del mundo a la mitad de lo que hoy es. Porque la pobreza ha venido creciendo como un monstruo por todas partes. En los últimos veinte años, en América Latina, la pobreza creció como los ríos cuando llueve. Y han hecho estragos en generaciones enteras que ya no tienen vuelta atrás, porque todos aquí sabemos – y aquí hay científicos, estoy seguro, y no hay que ser científico para saberlo – que un niño que nace del vientre de una madre desnutrida ya viene condenado. ¡Bueno! No es condenado. Viene ya con una carga a cuestas que va transitar toda su vida. Son daños irreversibles en el sistema biológico. Es como un pajarito que nazca sin alas. Daños terribles a la humanidad.
Ahora, nos comprometimos, aquí, en el 2015, vamos a reducir a la mitad la pobreza. Vamos a preguntarnos: ¿Dios mío, cómo? Porque cuando algunos de nosotros proponemos medidas radicales, como la que hemos propuesto a nombre del pueblo venezolano, de reducir el gasto militar en un 50% ya en el mundo, entonces no hay respuestas. Todo lo contrario, hay planes para hacer escudos antimisiles y bombas que solo matan gente.
O cuando decimos que hay que convertir una buena parte de la deuda externa y no ese porcentaje miserable y marginal que hasta ahora se ha venido tratando. ¡No! Una parte importante y considerable de la deuda externa.
Venezuela, por ejemplo, este año, con toda nuestra pobreza y nuestras dificultades, hemos pagado ya 4 mil millones de dólares, y el año pasado pagamos casi 5 mil en deuda externa.
Da dolor, cada vez que yo firmo esa autorización, me da un inmenso dolor. Porque son cada 3 meses. Y resulta que los hospitales no tienen, muchos de ellos, medicina. O los sueldos de los maestros son miserables o hay cientos de miles de desempleados y de pobres. Y las escuelas les faltan muchas cosas para que sean dignas de ser escuelas y mucha gente no tiene vivienda, sino que viven en ranchos miserables en las laderas de las montañas. Y hay que pagar una deuda externa, que ya se ha pagado 2 veces y medio y sigue creciendo; porque no-baja, se paga y se paga y ella crece y crece.
Es una inmoralidad, la usura de los ricos contra los pobres.
Entonces, cuando decimos desde el sur y proponemos, pero con mucha firmeza, que se nos oiga y que hagamos un acuerdo mundial entre los deudores y los acreedores para convertir, por lo menos, el 50% de esa deuda en atención inmediata, ya, a la pobreza, al hambre, al desempleo, a la desnutrición, a las enfermedades. Tampoco hay respuesta.
No, cada gobierno se encargará. Vayan ustedes saber como el gobierno de Haití, se va encargar de su miseria él solo.
Hay países como Venezuela que tienen, a pesar de las tragedias, algo de suerte, porque tenemos petróleo y somos un país rico, nunca tuvimos liderazgos y una clase política degenerada cayó sobre Venezuela como las siete plagas, aquellas… si, y entonces hicieron un milagro al revés. Porque convirtieron un país rico habitado por pobres. Eso es otra parte del problema. Las ineficiencias, la falta de gobiernos, de compromisos, de planes y de proyectos.
Bueno. ¿Pero yo no tengo mucho tiempo, verdad? ¿Cuánto tiempo tengo? Ya creo que se me ha acabado el tiempo. Me están haciendo señas por allá.
En todo caso, más allá de todas estas consideraciones, que nos cargan por estos caminos llenos de preocupaciones y que…, bueno quise aprovechar, Señor Presidente, perdónenme este momento de amor y de encuentro con ustedes, que yo tenía tantos años soñando y esperando para, porque no, es verdad, compartirlo bajo la bendición de Dios, que monseñor nos ha proporcionado a todos. Y este sol brillante para soñar, más bien con las cosas bonitas y para comprometernos a luchar, por un muy duro, todos los años que nos queden de vida. Ojalá sean muchos para todos, para dejar un mundo un poco mejor y que nuestros hijos y nuestros nietos vengan y sigan abriendo senderos de paz, esa es la idea.
En eso Venezuela se pone a la orden de Madeira, como sé que Madeira está a la orden de Venezuela, para a partir de hoy, señor Presidente, señores y señoras, autoridades, elaborar un plan estratégico.
Propongo que hagamos un plan estratégico de inter-relaciones en lo político. Mucho tenemos que hablar de la política. Porque la política, también, la quisieron sacar del juego.
El neoliberalismo dice que no, que hay una mano invisible, la del mercado que todo lo arregla, incluyendo la política.
¿Y para que entonces las instituciones?
Allá en Venezuela querían hacer una re-privada. Había que privatizar toda la República.
Rizos.
Sí, entonces nos despacharon a todos nosotros y toda la historia de las Ciencias Políticas y la maravillosa cosa que es la Política. Porque la Política es una cosa maravillosa, lo que pasa es que algunos la degeneraron en Venezuela. Por eso, la Política llegó a ser en Venezuela mala palabra. Llamar a alguien: ¡Tú eres un político! Era como ofenderlo.
A mí una vez me decía un oficial, cuando estaba aún en el ejercito, pareces un político y era como una ofensa aquello.
Pero resulta que no. Político, Polis, lo sabemos nosotros, es la vida de todos.
Decía Baleano hace unos años, Eduardo Baleano ese grande nuestro, cuando le preguntaron: ¿Usted es escritor político? Si, lo soy. Lo soy porque desde el momento en que uno se interesa por la suerte de los demás, es un político verdadero, no-politiquero.
Pues vamos a rescatar la idea de la política, de la participación de todos.
Decía Cristo: Eclesial, cuando ustedes se reúnan y estén juntos, estaré con ustedes.
El colectivo, la idea del colectivo. Para ir derrotando, una vez más, porque la historia va y viene.
Esta batalla entre el individualismo y el colectivismo, es una batalla. Yo prefiero el punto intermedio.
Bolívar decía: que había que buscar los puntos de equilibrio entre los extremos. Entonces, es un poco la filosofía de la Revolución Bolivariana, que estamos comenzando a construir modelos políticos.
En América tenemos una lucha ideológica.
Desde Venezuela decimos: que no nos basta la democracia representativa, que es una trampa.
Quieren burlas, Venezuela.
Sí. Un grupo de señores, a los que elegía el pueblo cada cinco años o cuatro y que después de prometer villas y castillos, decían: no yo ahora soy el dueño, yo soy el jefe y yo hago lo que yo quiera o mi partido quiera, o mi grupo quiera o mis amigos quieran. Y empezaban a tomar decisiones sin consultarle a nadie.
Y como ocurrió una vez, que el pueblo salió a la calle, para manifestarse y decirle: ¡Vete traidor! Entonces, ahí él decide enviar los soldados a dispararles, porque él es el Presidente.
Y fue así como la juventud militar venezolana…
Yo diría que, son procesos distintos, sí.
Pero yo nunca olvido cuando era cadete, en la academia militar de Venezuela, mi general me informó sobre la noticia, de que hubo en Portugal una revolución de los claveles y leíamos cosas, éramos casi unos niños, todavía. Nunca olvidaré aquello.
Pero resulta que a nosotros nos llegó una hola, parecida, muchos años después, con la diferencia que no era contra una dictadura abierta. La dictadura de Venezuela era una dictadura con ropaje democrático. Democracia decían y eran unos tiranos. Democracia decían y robaron al pueblo. Democracia decían y atropellaban a los periodistas. Democracia decían y disparaban primero y averiguaban después. Democracia decían y falsificaban votos, actas, urnas electorales y ponían a votar a los muertos. Democracia decían.
Salí un día con grupo de compañeros de… militares a echarle tiros a la democracia. ¡Traidores! nos decían. ¡Tiranos! Todavía nos dicen; no nos pesa, no nos pesa.
Entonces, la democracia representativa es una trampa en nuestro criterio y tenemos ejemplos que se pueden comprobar científicamente. El caso venezolano.
Necesitamos democracia de otro tipo. No negamos la representatividad, no. Pero hace falta darle a la democracia dosis de participación. Y en la constitución Bolivariana estamos comenzando a crearlo. Algunos le tienen miedo.
Una vez, me dijo un buen amigo – aliado, político y un hombre de mucha visión -, una noche me dijo: Chávez me da miedo. Y yo le respondí: no te dé miedo, Bolívar decía que el pueblo es sabio. Que creía más en los consejos del pueblo que en los consejos de los sabios.
Aquí, en esta constitución están señalados los principios fundamentales de la democracia participativa, incluso, se señala que en las comunidades podrán haber asambleas populares con carácter vinculante, siempre y cuando cumplan con algunos, por supuesto, elementos legales. Y estamos, ahora, haciendo la ley de participación popular.
A eso le tienen miedo algunos alcaldes, de esos que son elegidos y que, después, se encierran en el palacio a gobernar con su camarilla y no salen a la esquina.
El poder de revocatoria popular esta aquí establecido. Yo soy Presidente para seis años, pero después de los tres años, la mitad del mandato, el mismo pueblo que me eligió puede revocarme el mandato, por un referéndum y sacarme de allí. Pero eso puede ser aplicable a cualquier hombre o mujer elegido, diputado o diputada, gobernador o gobernadora, alcalde o alcaldesa, presidente o presidenta, cualquiera; tendrá siempre la espada de Damocles del voto popular para revocar de mandato. Cosas como esas.
Pero, también, hemos hecho leyes para participación en la administración de 20%, como techo de los recursos asignados al municipio a través de asambleas populares para obras que el pueblo reclame y necesite con urgencia. Hasta ahí hay que llegar en la participación.
Estoy seguro que ustedes lo han vivido.
No hay mejor contralor que el mismo pueblo. El pueblo sabe. No va saber el pueblo, más que un alcalde, lo que él necesita.
En Venezuela nosotros hemos conseguido planes.
Cuando llegamos al gobierno de alcaldes que querían hacer galleras con aire acondicionado, y querían que les diéramos el dinero. Y ellos nos decían: tenemos este proyecto para una gallera con aire acondicionado.
¿Y el hospital? ¿Y la carretera para los productores que no tienen caminos decentes para poder sacar sus productos? ¿Y la escuela? ¿No será más importante una escuela que una gallera?
¡Ah! ¡Porque le gustaba jugar gallos! Quería una gallera moderna, con aire acondicionado y con tableros y no sé que más.
¡Que cosas! La degeneración de la política.
Entonces, el intercambio entre Madeira y Venezuela, Portugal y Venezuela. Vamos hablar de política. Vamos hacer seminarios, vamos intercambiar entre los diputados y las diputadas, con nuestros diputados y diputadas, nuestros alcaldes, nuestros gobernadores.
Yo incluso, he propuesto y propongo aquí, en esta solemne cámara de representantes del pueblo de la autonomía, que trabajemos un documento para hermanar a Madeira con alguna región venezolana y establecer el piso jurídico internacional para hacer acuerdos de cooperación económica y social. Tenemos un piso hecho ya, lo ha construido nuestro pueblo durante siglos.
¿Cuantos venezolanos viven aquí, cuantos madeirenses viven en Venezuela? ¿Cuántos se sienten de los dos? Se sienten tanto portugueses como venezolanos. Ya no tienen una nacionalidad.
Incluso, en la constitución nuestra, ahora aparece la idea de la doble nacionalidad y ellos están muy felices. Y ahora pueden postularse, incluso, hasta gobernadores; teniendo nacionalidad venezolana. Porque son formas de abrir el país y profundizar las relaciones.
Me parece que nosotros podemos hacer, perfectamente, un plan estratégico de cooperación entre: Madeira y Venezuela, el turismo, el comercio, la industria, la energía. Porque Madeira está, así lo he dicho, en varias ocasiones ya, ubicada geopolíticamente de una manera excepcional para ser un puente, un enlace entre Sudamérica, entre el caribe y Latinoamérica con la Europa. Y esto es vital para nosotros. Y es vital para el mundo, yo creo que para todo el mundo. Y es una forma de que contribuyamos con el mundo entero.
Somos y estamos, absolutamente convencidos, que el siglo XXI necesita de un mundo pluripolar. El siglo XX fue bipolar y ahí están los resultados. Dios nos libre de un mundo unipolar. Dios nos libre de una potencia que se crea cercana a Dios y pueda decidir por todos. Quién es malo y quién es bueno, quién es amigo y quién es enemigo, cuál es lo blanco y cuál es lo negro. Dios nos libre de un mundo unipolar.
Vemos en el horizonte un mundo con múltiples polos.
La Norteamérica sí. Es un polo y será un polo de fuerzas.
La Europa, otro polo de fuerzas que aplaudimos y miramos con mucho interés el modelo de la Unión Europea, con mucho interés.
El Asia, ahí se conforman, también, un polo de fuerzas.
El África, hace poco estábamos oyendo a Bouteflika y a Kadafi. Cada uno a su vez, hablando de la unión africana, ojalá los hermanos de África impulsen su unidad, igual Obasanjo de Nigeria y a muchos otros países hermanos, Senegal, Egipto. Ellos pueden, ellos quieren. Y hay que ayudarlos a que el África se una.
Es que nos queda a nosotros los suramericanos y caribeños conformar un polo de fuerzas, ya lo decía Bolívar hace 200 años. Sueño como el primero, ver como se forma en esta parte del mundo una sola gran nación, y él la llamó Colombia, la gran Colombia. Y ya Miranda lo soñaba y hablaba del incanato, de la unión del sur. Es importante eso. Bolívar convocó al congreso de Panamá y decía: Panamá debe ser la capital del nuevo mundo, como fue Corinto para los griegos. Y yo diría hoy, como es Bruselas para la Unión Europea.
Bolívar quería conformar ese bloque de fuerzas que nosotros estamos llamados a hacer ahora, comenzando el nuevo siglo.
Así que, dentro de esa visión pluri-polar, Europa y América Latina necesitamos re-potenciarnos, profundizar nuestras relaciones filosóficas, políticas, económicas, de nuevos modelos económicos que generen desarrollo humano, que generen igualdad, que generen empleo.
El Neoliberalismo salvaje que nos inyectaron en Sudamérica y en América Latina, lo que ha generado es desempleo, es una máquina generadora de desempleo, de muerte y de miseria.
Allí está nuestra hermana Argentina, por ejemplo. Le aplicaron una sobredosis de Neoliberalismo durante una década casi, y allí está una de las naciones más grandes de nuestro continente, allí está ese gran pueblo argentino, debatiéndose en una crisis terrible, económica y social.
Hubo elecciones hace unos días y parece que 30% de la gente no quiso votar o colocaba Bin Laden en la boleta. Bin Laden o un cómico muy famoso.
Este es un ejemplo de cómo las crisis económicas van alejando los pueblos de la política. Y eso es muy peligroso para la paz y la estabilidad del mundo.
Necesitamos modelos económicos que generen justicia, no que generen desigualdad en justicia, porque al mismo tiempo genera la violencia. Que generen empleo, seguridad social. Eso nos hace falta en América Latina. Revisar otros caminos, porque nos quisieron convencer de que el único camino es el Neoliberalismo. There is not alternative, decían.
¿Cómo que no hay alternativa? La alternativa tiene que ser la vida, la hermandad, la igualdad y el desarrollo. Y en eso Madeira y Venezuela hemos hecho mucho, pero es poco lo que hemos hecho, comparado con lo que vamos hacer.
Dejo aquí, en esta soberanísima y distinguidísima asamblea, esos sentimientos, esas reflexiones cargadas de afecto, de fe, de esperanza, de muchos recuerdos, de mucho amor y a través de ustedes, estimadísimos representantes del pueblo de Madeira, un saludo intenso, eterno, profundo como la barca de agua, a este bueno, sencillo y heroico pueblo madeirense.
Muchísimas gracias.
Aplausos gerais.
O SR. PRESIDENTE (Miguel Mendonça):- Declaro encerrada a Sessão.
Ouviram-se os Hinos de Venezuela e Portugal.
Eram 14 horas e 45 minutos.
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