“Temo os vossos silêncios, não as vossas injúrias.”
Jean Racine, 1639-1699, Francês
Escritor/Dramaturgo/Poeta
Caros visitantes,
Bem vejo pelas estatísticas de acesso a este blog que esperam que escreva sobre o PS-Madeira.
A situação é demasiamente grave para nos refugiarmos no silêncio…
Nunca como nestes dias os militantes falaram tanto de blogs no Partido Socialista. Sinal dos tempos…
Mas que relevância poderão ter meia dúzia de blogs, lidos por algumas centenas de pessoas, se o que lá estiver escrito não se compaginar na realidade?
Será crime ter opinião? Será que o normal e desejável é não ter opinião? Ou devemos tê-la, mas não divulgá-la por ser um bem raro e precioso? Não! Não contem comigo para essa hipocrisia!
Todos sabemos que na Madeira a liberdade de expressão tem um elevado custo. É assim há 30 anos! Há muito que assumi estar disponível para pagar esse custo.
Marcamos a diferença em relação a este regime dizendo livremente a nossa opinião!
Não podemos fazer auto-censura e pactuarmos com a lógica do regime vigente. Até porque 15% de resultados eleitorais é demasiado baixo para tacticismos de conquista de poder.
Eu sempre fui um defensor de que os debates devem realizar-se nos órgãos do partido e lá permanecer. Mas para que tal aconteça é necessário que todos o façam com lealdade, o que não está a acontecer neste momento:
1. Desde logo é preciso que os órgãos reúnam. A Comissão Regional do PS-Madeira não reúne há 3 meses e meio e, cumprindo os estatutos, deveria já ter obrigatoriamente reunido há 77 dias (31 de Março). Isto é desrespeitar os órgãos e os militantes!
2. Depois, é necessário que as pessoas participem nos órgãos e permitam o debate. Continua a ser inacreditável o nível de ausências e o silêncio de alguns dos presentes. Praticamente ninguém defende João Carlos Gouveia (excepção para Agostinho Soares e Francisco Dias) ou sequer argumenta, nem sequer os membros do seu secretariado. Isto é irresponsabilidade!
3. Não faz sentido dizer que a culpa destes resultados eleitorais é do Governo da República e faltar à Comissão Política Nacional onde o poderia dizer a quem o poderia ouvir. Não faz sentido pedir aos outros posições de força face aos órgãos nacionais e depois ter posições fracas e cobardes quando se trata de responsabilidades próprias. Isto é incoerência e cobardia!
4. Não faz sentido ir aos órgãos, falar e logo depois sair porta fora sem ouvir a opinião dos outros. Participar é falar, ouvir e argumentar. Os órgãos não servem para que os outros nos oiçam, mas que falemos uns com os outros. Isto é falta de sentido democrático!
5. Não faz sentido dar a uns tempo de intervenção ilimitado, a outros singelos minutos cronometrados e a nenhuns a possibilidade de réplica e tréplica. Isto é desigualdade e condicionamento das reuniões!
6. Não faz sentido que quem tem as maiores responsabilidades nos processos e decisões não fale, ou resguarde a sua posição para o final da reunião onde já não há possibilidade de argumentar ou contestar pelos meios normais das reuniões. Isto é obscurantismo político e deslealdade!
7. Não é justo lançar insinuações e véus de suspeição sobre os diversos militantes que se lhe opõem, e depois não as concretizar minimamente por causa de uma incoerente justificação institucional. Essas táticas estalinistas não são aceitáveis num partido democrático como o PS. Isto é ditadura!
8. O processo de escolhas de candidatos é estatutário e muito claro. As eleições para as Concelhias já deviam ter acontecido no final do ano passado e só não aconteceram por vontade expressa da própria direcção. O mandato de 2 anos de João Carlos Gouveia está prestes a terminar! Ignorar os estatutos é muito mau. Mas interpretar os estatutos de forma criativa também não fica nada bem a um jurista… Isto não é defender o Estado de Direito!
9. Não faz sentido criar estruturas fictícias e virtuais para cumprir as competências que os estatutos atribuem claramente a determinados órgãos. Se os órgãos são incompetentes então demitam-se ou têm de ser demitidos por quem de direito. Isto é incompetência!
10. Não faz sentido dizer que não há tempo para um Congresso, electivo e consequente, mas há tempo para uma convenção, não electiva e inconsequente. Isto é perder tempo!
A verdade é, como alguém disse recentemente, que a moção de João Carlos Gouveia tinha 3 objectivos claros e que nenhum deles está a ser cumprido:
- Uma liderança institucional e de transição, limitada no tempo
Hoje são os próprios apoiantes de JCG a confirmar que a liderança não é institucional e que cabe aos militantes decidir se é ou não de transição e limitada no tempo.
- Unir o partido
Hoje, ninguém tem dúvidas que é o próprio JCG o principal instigador da desunião tentando dividir para reinar.
- Recuperar do resultado eleitoral de 2007
O resultado não só não foi recuperado, como foi agravado. As diferenças de resultados nas diversas concelhias mostram que existe um efeito regional com grande força para além da influência da onda nacional.
Ao não cumprir, nem sequer tentar cumprir minimamente, com os objectivos da sua moção global, João Carlos Gouveia faz uma fraude, enganando os militantes que votaram nele com base naquele conjunto de pressupostos e objectivos.
Engana também os eleitores apresentando-se como Presidente do PS-Madeira, o que é verdade de jure, mas não o é de facto porque não tem o respeito institucional de praticamente ninguém.



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