Ontem, estava a ler a revista Visão, e deparei-me com uma análise sobre os abstencionistas. Diz o artigo que os abstencionistas são eleitores esquivos. Rui Oliveira e Costa disse que tentaram fazer um estudo sobre os abstencionistas num concelho onde a abstenção tinha sido massiça. Fizeram o estudo 1 semana depois das eleições e apenas conseguiram “apanhar” 10% dos abstencionistas… Os outros garantiam que tinham votado…
O mesmo efeito já era conhecido em relação ao partido vencedor. Os estudos pós-eleitorais são sempre muito inconclusivos porque após conhecer que foi o vencedor, o número de inquiridos que garantem ter votado no partido que ganhou é substancialmente superior à votação de facto obtida por esse partido. Ou seja, o pessoal mente nas sondagens com quantos dentes tem na boca! A natureza humana é tramada!
As eleições europeias têm sempre tido abstenções elevadas (entre os 60% e os 64%), excepto na vez que se realizou em simultâneo com as legislativas. Já as eleições legislativas têm tido abstenções substancialmente inferiores (entre os 36% e 38%).
De acordo com a visão, o perfil típico do abstencionista é:
- tem entre 18 e 29 anos
- não é casado
- não tem filhos
- não participa na vida do local onde vive, nem sequer nas reuniões de condomínio.
- vive tipicamente em zonas urbanas, no litoral ou nos Açores (A Madeira tem tido abstenções relativamente baixas nas eleições europeias, o que como veremos na análise que se segue não é muito promissor para o PS-Madeira)
Outra classe de abstencionistas são os que têm entre 65 e 70 anos, mas em menor peso do que os da classe acima. Estes provavelmente não votam por eventuais doenças, ou dificuldades de mobilidade, ou por terem perdido a paciência.
Um factor que parece ser determinante para ser abstencionista é o pagar impostos e ter mais responsabilidades perante os outros, nomeadamente filhos. São esses que tendem a votar mais, o que faz sentido.
Os abstencionistas também só tendem a comparecer a votar quando o resultado é incerto. Quando não se sabe quem será o vencedor.
Ora, assumindo como verdadeiro tudo o que atrás está escrito, tenho uma análise polémica para vos apresentar.
Será que a série de sondagens que davam a vitória ao PS estavam todas erradas, ou seja, não estavam a conseguir apurar a vontade da maioria portugueses. Ou será, pelo contrário, que a grande sondagem que saiu errada foi a que ficou expressa nas urnas em virtude da elevada abstenção por causa da vitória esperada do PS?
Não ponho em causa o processo eleitoral! Mas será que o resultado eleitoral expressa a verdadeira opinião dos portugueses sobre o governo do PS?
Bem sei que é polémico… Mas continuando com as suposições… Se nas eleições legislativas, agora que o resultado é incerto, os que agora foram abstencionistas comparecerem em número razoável nas urnas e, continuando com as suposições, daí resultar uma vitória expressiva ao PS. O que se concluirá nesse cenário? Que os portugueses mudaram de opinião com as férias de verão, ou será que foi o facto de comparecerem nas assembleias de voto que fez a diferença?
A ver vamos…

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