Caro Eduardo,
Misturar alhos com bugalhos não melhora a qualidade dos teus argumentos, antes pelo contrário.
O objectivo da educação é que os alunos aprendam. Isso mede-se pelos resultados destes. Construir escolas novas e com boas condições é bom, ninguém disse o contrário, mas as estruturas físicas são o meio e não o fim.
Eu andei na Madeira numa escola pré-fabricada e com fibrocimento (o tal que provoca cancro) e quando chovia lá fora também chovia dentro de algumas salas… Agora a APEL tem instalações novas, óptimo!
No Instituto Superior Técnico também tive algumas aulas em pré-fabricados, trabalhei muitas horas nos computadores das caves (que chamavamos catacumbas) em salas tremendamente quentes com uma dúzia de computadores, pouco espaço e sem qualquer circulação de ar. Também tive aulas em que os alunos enchiam todo o anfiteatro, o chão e as escadas. Não porque gostassem das condições, mas porque o professor da sala ao lado, apesar de estar a dar a mesma matéria, explicava muito pior (e ganhava o mesmo salário).
Agora o departamento de informático do Técnico tem novas instalações em Oeiras. Óptimo!
O objectivo da educação é que os alunos aprendam, não é necessáriamente o conforto, apesar de obviamente as boas condições facilitarem o sucesso escolar.
É indiscutível que este governo regional tem uma obcessão pela obra física e descura a gestão eficiente dos recursos. Contestas isto? Quantos exemplos queres?
Em relação à colocação de professores, devo lembrar que foi o governo trapalhão do PSD-CDS/PP que fez a grande confusão na colocação dos professores atribuindo depois a culpa ao programa informático. E foi o governo do PS que resolveu a trapalhada.
Em relação à percentagem de pessoas com formação superior, os meus dados não estão desactualizado. No documento que referiste vê-se que na população 35-64 anos são 7,5% os que têm formação superior. Na população com 25-34 anos são 18%. Se fizeres a ponderação verás que a média total fica próxima dos 10%.
Nada disse contra o ensino técnico e ensino profissional. Sou totalmente a favor da sua necessidade e da utilidade da extensão deste ensino.
Em relação às notas dos exames recomendo-te a leitura disto.
Em relação à saúde, um sem abrigo no continente tem uma declaração de IRS que faz com que não tenha de pagar taxa moderadora.
Mas por acaso até sou contra a existência de taxas moderadoras em determinados tipos de serviços de saúde em que ninguém recorre sem necessidade, pelo que a taxa moderadora não serve para moderar a utilização de absolutamente nada.
Já quando falamos do sistema regional temos a inacreditável situação de o Governo Regional estas disponível, através da convenção, para pagar aos médicos no privado o que não está disponível para lhes pagar no serviço público, nem querer estabelecer separações claras entre o desempenho de funções num e noutro âmbito.
Os que têm de recorrer ao serviço público tem de esperar sem fim nas consultas de recurso porque nem conseguem ter médico de família.
Os que podem pagar as consultas privadas (com preço convencionado) têm os médicos disponíveis e a Região paga bem por esse “serviço” e aos mesmos médicos que algumas horas antes estavam no serviço público… Lindo, não é?
Em relação à percentagem de famílias com computadores. Então a diferença na Madeira é apenas de mais seis décimas percentuais?
E cá já começamos há tanto tempo? Não te parece que devia ser “ligeiramente” superior?
Caro Eduardo, sobre cunhas devo lembrar o que o teu chefe disse nos últimos congressos da JSD.
No antepenultimo disse que os JSD’s tinham de deixar de contar com emprego na administração pública porque as vagas estavam a escassear. Tinham de procurar alternativas.
No penúltimo disse que “tinhamos de nos comportar como uma máfia no sentido positivo” referindo-se especificamente ao emprego e à inter-ajuda.
No último congresso retomou a temática da máfia como oportunamente aqui escrevi, tentando dar a volta à ponta do prego.
Em relação à minha opinião sobre o actual líder do PS. Ela é consistente e clara desde o início do mandato. Quem esteve no último congresso ouviu o que eu disse e ficaram claras quais eram as minhas expectativas para este mandato. Eu não sou cão de fila de ninguém! Eu penso pela minha cabeça e tenho opinião própria.
Se a tua opinião é só e apenas a que diz o teu chefe, isso é problema teu.
Eduardo, devo dizer-te que as tuas referências à minha pessoa são absolutamente abjectas e insultuosas. Não me conheces minimamente, nem o meu percurso político no interior do PS, académico ou profissional, mas se há coisa de que nunca beneficiei ou sequer pedi para mim ou para alguém foram cunhas!
Já não é a primeira vez que o dizes e sempre com diferentes protagonistas. Já falaste de contrapartidas com o Gregório Gouveia (meu pai), de viagens a Lisboa com o Bernardo Trindade, do José António Cardoso, do Jacinto Serrão. Enfim, vais dizendo coisas que toda a gente percebe que não tem qualquer fundamento e que não fazem sequer qualquer sentido temporal, lógico ou outro… mas vais insistindo nessa linha por falta de outros argumentos. Enfim, são limitações que entendo que tenhas, mas que não aceito que uses.
Já me tinha esquecido porque é que nunca mais tinha trocado palavras contigo pelos blogs… É por causa da qualidade e nível da tua argumentação, pelo que vou voltar a colocar-te na prateleira da irrelevância durante uns meses para ver se te passa.
Tchau, até para o ano!
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