Há uma semana os estivadores protestaram violentamente frente à Assembleia da República.
Os estivadores dizem que estão contra a criação de plataformas logísticas nos portos e que isso lhes vai tirar trabalho…
Pode-se pensar que a rudeza do trato é sinónimo de profissão mal remunerada e desfavorecida. Puro engano!
A situação dos trabalhadores portuários tem um histórico terrível que demonstra que a cedência a grupos profissionais pode prejudicar gravemente a economia do país no seu todo. É preciso avaliar a situação no seu verdadeiro contexto e não ceder ao que é manifestamente injusto para o país.
Recupero uma notícia de 1997, mais propriamente do Semanário de 4/Jan/1997 onde se diz:
Trabalhadores portuários chegam a ganham mais 45% em salários do que os congéneres europeus sem fazer equiparação ao nível de vida… E mostra números:
Salário médio dos trabalhadores portuários em 1995 (converti os valores para euros):
Em Lisboa e Porto: 42 400€/ano (3 500€/mês)
Em Itália: 29 200€/ano
Na Holanda: 34 600€/ano
Na França: 30 200€/ano
Na Bélgica (Antuérpia): 30 600€/ano
Na Alemanha: 34 600€/ano
Coitadinhos dos 400 estivadores de Lisboa e Porto. Tão rudes, tão mal criados, tão mal pagos…
E na Madeira? O cenário é o mesmo! Mas cá só trabalham (normalmente) 2 dias por semana e têm uma forte propensão para se magoar e ficar 6 meses de baixa por cada ano de trabalho… Dessa forma recuperam o que descontam para a segurança social… E trabalham para uma empresa (ETP) em que um dos sócios é também o presidente do sindicato. O outro sócio é o Grupo Sousa, que por outro lado é dono da empresa que presta serviços exclusivamente no Porto do Caniçal… Perceberam o esquema?
Mais… Um dos entraves à entrada de concorrentes nas Operações Portuárias é o acordo estabelecido há anos, em que o Governo Regional foi parte, que obriga os novos concorrentes a pagar (e muito) pelos estivadores já reformados… Na altura do acordo muitos estivadores passaram à reforma dourada…
É costume falar da falta de concorrência no transporte marítimo para a Madeira por só existirem 5 navios… mas o escândalo maior é o que se passa em terra, mesmo à beira mar.
Gostei de ver o armador António Armas a dizer e repetir ao lado da Secretária Regional dos Transportes que no licenciamento da sua operação não existe qualquer limitação à quantidade de carga que pode transportar. É o que dá ter um discurso enganador para a comunicação social… No mesmo telejornal, Alberto João Jardim com um dos Sousas em plano de fundo, falava da neutralidade do Governo Regional… É lindo, não é?
Ontem, no telejornal da RTP-Madeira, o comentador Miguel Torres Cunha trazia o argumento do interesse nacional/regional versos empresas do exterior.
Caro Miguel Torres Cunha, você que é uma pessoa que estuda os assuntos, analise lá melhor se está a defender o lado certo, porque não é seguramente o lado mais fraco, nem o que melhor salvaguarda os interesses da Região…
Qual é o problema de existir carga rodada no Porto do Funchal? Nenhum! É completamente diferente ter carga rodada e contentores!
Há muito que deveria existir! Se falta algo é a plataforma RollOn-RollOff do Porto do Funchal ser muito estreita, o que não permite que todos os tipos de navios ferry a utilizem… Mas isso foi uma opção política consciente para favorecer os de sempre, não é verdade?
Se não é permitido transportar carga a partir do Porto do Funchal então porque é que o Lobo Marinho transporta carga a partir do Porto do Funchal para o Porto Santo? Faz sentido o Lobo Marinho parar no Caniçal para recolher carga? Não faz seguramente…
Sabiam que de acordo com a Lei da Cabotagem os armadores são obrigados a colocar a carga na Madeira e no Porto Santo ao mesmo preço? Como é que isso é feito se os navios apenas param no Caniçal?
Faz sentido o Lobo Marinho fazer a viagem para o Porto Santo saindo do Caniçal encurtando a viagem de barco em 1 hora? Na minha opinião faz, mas não me incomoda que parta do Funchal…
Tal como não me incomoda que o Armas atraque no Funchal e tenha carga rodada.
Uma das justificações para o túnel Porto do Funchal – Quinta Magnólia era exactamente o facilitar do escoamento da carga rodada.
Realmente é uma injustiça o que se passa nos Portos! Será que alguém resolve isto ou teremos de recorrer à pedrada?
Comentários Recentes