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11 Ago 2009 No Diário de Notícias

Diário de Notícias – Madeira

Fazer negócio na internet

A Inforquali é o exemplo de que a partir de uma ilha é possível entrar num mercado à escala planetária e vender produtos concebidos na Madeira

Ana e Duarte são empreendedores veteranos. Daqueles que transformaram um sonho, um projecto, no negócio das suas vidas. Sem… subsídios ou outro tipo de incentivos.

“Nós saímos da universidade e decidimos criar uma empresa. A nossa lógica foi baixo investimento, baixo custo e investimentos os capitais próprios”. Olhando para trás, Duarte admite que não voltaria a fazer este percurso. “Não foi o caminho mais fácil, devíamos ter trabalhar de uma forma estável e conseguir mais experiência”.

A Inforquali surgiu em Novembro de 1997. “Já tem 12 anos”, regista Duarte Gouveia com surpresa, pelo tempo que já passou. E surgiu “para fazer desenvolvimento à medida, ou seja conceber soluções de software para empresas que têm necessidades concretas e não conseguem encontrar produtos no mercado”.

Depois de ter passado as férias de Verão a contactar com as empresas “para saber o que existia”, o então recém licenciado em engenharia informática teve “a percepção do que ainda não estava disponível no nosso mercado. Nós começamos com uma estratégia de nicho, na área para software de escritórios de advocacia, pois sentimos essa necessidade e apresentamos uma solução. Esse foi o nosso primeiro produto.e teve um razoável sucesso e ainda o vendemos”.

Não podendo ficar restritos a um único produto, a Inforquali passou a desenvolver “vários software’s de gestão para empresas. A determinada altura decidimos mudar completamente para uma gestão WEB. Hoje tudo o que desenvolvemos é para funcionar na internet e baseamos toda a nossa estratégia num produto interno que temos desenvolvido, que é uma ferramenta de geração de código.

Nós descobrimos, pela nossa experiência que todos nós passamos a maior parte do nosso tempo a fazer coisas repetidas. Aquilo que fizemos foi detectar as repetições e fazer ferramentas que nos permitisse gerar, automaticamente e muito facilmente tudo o que é repetido. O que nós fizemos foi criar uma ferramenta, que parametrizamos, geramos código, de modo a fazermos de uma maneira em que é possível adaptar às especificidades de cada cliente”.

A Inforquali é o modelo do que devem ser empresas em mercados pequenos e insulares. Porque competem num mercado global, para um cliente internacional. “Hoje fazemos 60% do nosso negócio no mercado internacional. Já vendemos projectos para a Indonésia, Estados Unidos, Noruega, Reino Unido, Austrália, Itália e Espanha”.

Para chegar ao mercado, a empresa madeirense recorre a sites na internet, onde está inscrita e onde as empresas pedem soluções de informática que não estão disponíveis. “Umas das nossas áreas de especialidade é o PHP e nós oferecemos os nossos serviços pela internet. Só que temos de apresentar soluções muito boas, em tempo recorde pois estamos a concorrer num mercado global, muito competitivo. Se não formos muito bom no que fazemos, não temos hipóteses”.

A crise também afectou esta micro empresa. E de que maneira. “Já fomos dez a trabalhar, hoje sou eu e a Ana. Neste momento estamos com imenso trabalho, sentimos que estamos sobrecarregados mas não vamos contratar enquanto a situação não der mais garantias”.

Portal de apoio aos casamentos

Ana Neto é mesmo empreendedora. De tal modo que se fez membro de uma rede internacional, representada em 53 países, com 26 mil membros. Uma rede de pessoas que partilham a sua casa nas férias, recebendo ou deslocando-se a casa de membros espalhados por todo o mundo. O casal já fez férias em dezenas de países. Na sua casa, na Madeira, já receberam americanos, polacos, britânicos, italianos, entre outros turistas. Pelo menos três trocas por ano fazem.

Mas o espírito empreendedor do casal levou-os a criar um portal (www.casamentosmadeira.com) que se especializou em disponibilizar informações sobre as cerimónias e festas de casamento.

Miguel Torres Cunha