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08 Jun 2011 Análise dos resultados eleitorais das Legislativas Nacionais de 2011
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Análise dos resultados eleitorais das Legislativas Nacionais de 2011

Comecemos pelo óbvio. O PS teve um resultado insatisfatório, quer na Madeira, quer no país.
O PSD e o CDS subiram e conseguem em conjunto maioria absoluta. Foram por isso os vencedores destas eleições. Os meus parabéns aos vencedores.

O PS e o BE desceram percentualmente e perderam deputados por isso são perdedores nestas eleições. Desta vez o PS, com José Sócrates, teve um resultado pior do que o PSD tinha tido com Manuela Ferreira Leite ou Pedro Santana Lopes.

O PCP-PEV, apesar de ter menos votos, sobe ligeiramente na percentagem e consegue eleger mais um deputado, pelo que tem uma pequena vitória, fortemente abaçanada pela nova maioria absoluta da direita.

Continuando na análise nacional, o PS perde deputados em 14 dos 20 círculos apurados, apenas mantendo o número de eleitos em:
• Vila Real e Bragança (Viva à auto-estrada transmontana! O PS perdeu 6,9 pontos percentuais em ambos os distritos, mas mantiveram-se os eleitos, também por serem círculos pequenos de 5 e 3 deputados.)
• Évora e Portalegre (o Alentejo foi nosso! O PS apenas conseguiu ser o partido mais votado em Beja, Évora e Portalegre. O PS perdeu 5,9 pontos percentuais em ambos os distritos, mas mantiveram-se os eleitos, também por serem círculos pequenos de 3 e 2 deputados.)
• Madeira (Viva o PS-Madeira! O PS perdeu 4,8 pontos percentuais na Madeira, o valor mais baixo do país, num círculo eleitoral que elege 6 deputados. Ainda assim, o resultado na Madeira é o mais baixo do país. Confirma-se o padrão de o PS na Madeira o PS ter menos 13 a 17 pontos percentuais do que a média nacional. Desta vez a diferença foi de 13,4.)

A análise no todo do país apresenta ainda alguns dados muito curiosos:

1. Foi na Madeira que o PS teve a menor queda em pontos percentuais, e foi nos Açores que a quebra foi maior.

Variação PS
-4,8 Madeira
-5,0 Beja
-5,9 Portalegre
-5,9 Évora
-6,2 Castelo Branco
-6,9 Setúbal
-6,9 Bragança
-6,9 Vila Real
-7,7 Guarda
-7,8 Aveiro
-7,9 Santarém
-8,0 Viseu
-8,7 Coimbra
-8,8 Lisboa
-8,9 Braga
-8,9 Faro
-9,5 Leiria
-9,8 Porto
-10,1 Viana do Castelo
-14,1 Açores

2. A Madeira foi, por enorme margem, o círculo eleitoral onde o PSD menos subiu em pontos percentuais. Ao contrário do que aconteceu em 2009, em 2011, a Madeira não foi o círculo eleitoral onde o PSD teve o melhor resultado percentual do país, tendo sido ultrapassada por Vila Real (51%) e Bragança (52%).

Variação PSD
12,3 Viana do Castelo
12,0 Leiria
11,6 Açores
11,4 Bragança
10,9 Viseu
10,9 Faro
10,8 Guarda
10,8 Santarém
10,3 Vila Real
10,0 Porto
9,9 Aveiro
9,6 Coimbra
9,3 Braga
9,0 Lisboa
9,0 Beja
8,8 Setúbal
8,6 Portalegre
8,5 Évora
8,2 Castelo Branco
1,2 Madeira


3. Para o CDS-PP, a Madeira foi o 3.º círculo eleitoral do país onde mais cresceu, sendo suplantado apenas por Lisboa e Setúbal.

Variação CDS
-1,5 Bragança
-1,4 Vila Real
-1,0 Viseu
-0,2 Viana do Castelo
-0,1 Aveiro
0,1 Guarda
0,2 Leiria
0,7 Porto
0,7 Braga
1,1 Santarém
1,1 Coimbra
1,2 Castelo Branco
1,6 Beja
1,8 Açores
2,0 Faro
2,2 Portalegre
2,3 Évora
2,7 Madeira
2,8 Lisboa
2,9 Setúbal

Perante estes resultados, e introduzindo agora também a Madeira no enfoque principal desta análise, o resultado na Madeira demonstra que o PS foi penalizado pelo contexto nacional avassalador, mas que essa onda foi fortemente atenuada na Madeira com duas nuances muito relevantes: o PSD sobe muito pouco na Madeira; o CDS-PP sobe consideravelmente.

O PND e o PTP que saíram moralizados das eleições presidenciais (39% na Madeira e 4,5% no país), tiveram uma gigantesca derrota nestas eleições, em que o factor de protesto podia continuar a fazer sentido.

Este voto de refúgio no CDS que se verificou na Madeira não é tão dramático como alguns têm afirmado. Seria bem pior para o PS se o voto de refúgio tivesse ido para a campanha de palhaçada (PND+PTP) – com quem o PS não pode se comparar, ou para a esquerda radical de onde o voto sairia com mais dificuldade.

O CDS-PP da Madeira tem pela frente meses muito difíceis. Por um lado terá o PSD-Madeira com o despesismo habitual a exigir dinheiro do governo PSD-CDS de Passos Coelho/Portas. Por outro lado terá o Governo da República a implementar medidas mais gravosas do que a troika exigiria.

O CDS-PP terá assim uma enorme e rápida erosão eleitoral, agravada pelo facto de o voto nestas eleições lhe ter sido atribuído por meras circunstâncias nacionais que não se repetirão em Outubro.

Assim,
• Foram perdedores destas eleições os militantes do PS que acharam no último Congresso Nacional (8,9 e 10 de Abril de 2011) que José Sócrates era a melhor solução para o PS na actual situação do país.
• Foram perdedores destas eleições os militantes do PS que não conseguiram convencer os seus irmão, país, demais familiares, amigos e colegas de trabalho de que a melhor opção de voto na Madeira era o PS, independentemente do contexto político nacional.
• Foram perdedores os militantes do PS que, podendo fazê-lo, decidiram não participaram nesta campanha, porque só é verdadeiramente perdedor quem desiste de lutar.
• Foram perdedores os que achavam que a melhor estratégia de campanha para o PS era alinhar por um estilo de campanha de palhaçadas e provocações, como fizeram o PND e o PTP.
• Foram perdedores os que achavam que a melhor estratégia de campanha para o PS era um discurso radical de esquerda, como fizeram o BE e a CDU.
Reservo para os órgão internos do Partido a análise sobre as opções de campanha e os comentários entretanto tornados públicos por alguns dirigentes e militantes.
No entanto, em termos gerais, tento em conta a opção por uma campanha modesta em termos financeiros, a campanha correu muito bem, sem gafes, com uma bela iniciativa de campanha quando veio à Madeira o candidato a primeiro-ministro do PS, actividades intensas todos os dias, um grande grupo de militantes na caravana regional, uma bela arruada a terminar a campanha.

Não resisto a comentar um dos argumentos que mais tem sido utilizados. O de que estes resultados se repetirão em Outubro… Pelo que expus atrás, não acredito que seja esse o cenário, mas apenas para efeitos de discussão vejamos a distribuição de deputados que daí resultaria no parlamento regional:

2007 2011
PSD 33 26 (-7)
PS 7 8 (+1)
CDS 2 7 (+5)
BE 1 2 (+1)
PCP 2 1 (-1)
PND 1 1 (=)
PTP 1 (+1)
MPT 1 1 (=)

Longe de ser um bom resultado, é um resultado muito melhor do que o que actualmente se verifica na Assembleia Legislativa da Madeira, com o PSD a perder a maioria qualificada e próximo de perder a maioria absoluta em deputados (em % já a teria perdido).

01 Jun 2011 Feliz Dia da Criança!
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Beijinhos da Rita e dos pais!